eu até poderia te desenhar melhor, mas tudo que és é a metade.

setembro 25, 2007

 ex-cara mariana,
parte. foi tudo um grande pedaço do que eu achava que era um inteiro, tudo uma grande metade de algo que eu supunha ser um sólido. talvez até menos do que uma metade, talvez menos do que a metade da metade. então, eu resolvi mostrar seu rosto escondido numa cortina, porque o que está dentro dele não passa de uma fração do que você quer que seja. as pernas cruzadas demonstram uma vergonha inexistente e o sorriso falso não passa de um artifício fútil, vão, pequeno, de tentar conquistar as pessoas e esconder suas fraquezas.

eu sei de um dia que chorou porque disseram que você não pertencia ao grupo que frequentava. mostrou ali toda sua pequenez em se importar com rótulos e frivolidades – e não verteu lágrimas por não estar no meio, não sofreu por perceber-se uma estranha no ninho; escondeu as mãos no rosto e soluçou por perceber a carência vindo à tona.

o que você precisa entender é que todo ser humano é sozinho por excelência – o ser humano é um animal triste, sujeito a mudanças de humor e falhas, muitas falhas. a maneira como se lida com essas falhas é que faz uma íntegra ou não – e o que fez comigo é jeito de alguém pequeno como sua cidade.

o blá-blá-blá que mal-diz as pessoas, o riso debochado e arrogante, a infantilidade da vontade de ser alguém popular, o desprezo e a desatenção a alguém que foi vê-la, e, principalmente, as mentiras e atitudes falsas: tudo isso é você. o que você passou para mim em todas as nossas conversas ao longo desses dois anos foi apenas o que você queria ser e que espelhava em quem você achava que eu era. apenas uma metade, um fração, de uma personalidade pequena e, por que não, nojenta.

realmente, eu não apaixonei-me por você. enamorei-me pela bela imagem que criei de você baseada em suas palavras mentirosas. tinham me avisado de minha loucura. tinham advertido para que eu não fosse tão longe.

esborrachei a cara como sempre acontece por minha passividade e cegueira.

ainda acho que essas palavras são poucas perto da raiva que sinto de você. quase tive um momento ignorante enquanto eu estava perto de você, quase fiz o ato humilhante tanto detestado e temido por vossa pessoa: um sonoro tapa na cara. agora vejo que o ódio que sua mãe sente por você não é infundado. eu ficaria tristíssimo se uma filha minha se tornasse a mal-caráter que você é.

saia dessa máscara idiota que você criou de maturidade e auto-controle; isso não existe. nós somos humanos, nós somos tristes, nós erramos, mas você não tenta melhorar. acho que você, assim como eu, é cega, só que é uma cegueira completamente diferente da minha – enquanto eu vejo quem sou mas os erros me perseguem, você é pequena como um todo.

ah, mas por que estou me dando o trabalho de servir de livro de auto-ajuda para você? acho que merece, apenas e afinal, uma chamada, uma pequena frase, vinda de mim. não mais, não menos, apenas:

– sua grande filha da puta.

中村 駿

 
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